quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

PRESIDENTA! SIM, SENHORA!

PRESIDENTA! SIM, SENHORA!

Romeu Sabará-

O Jornal, Folha de São Paulo, de 2/01/11, comunicou: “(...) usará ‘presidente’, e não ‘presidenta’, para se referir à petista Dilma Rousseff”. E justificou a infeliz decisão, dizendo: “De acordo com Pasquale Cipro Neto, o uso da forma ‘presidenta’ causa estranheza aos leitores”. Mérito para ele. Outras mídias nem mesmo explicitam tal decisão.
Contudo, sinceramente, o que causa mais estranheza às leitoras e eleitoras deste País é a atitude reacionária e machista da mídia, deixando de utilizar o termo “presidenta”, para se referir a uma mulher que se tornou a primeira Presidenta da República do Brasil.
Sim, Senhora! A própria presidenta, muito acertadamente, optou por usar o termo “presidenta”, não somente por questões de ordem gramatical, mas muito mais, por questões de ordem política.
Ainda tenho muito claro para mim o que ocorreu no processo eleitoral e foi, por mim, denunciado em carta aberta -“Para a Mulher Brasileira”. Carta esta, amplamente divulgada na internet e, posteriormente, onde introduzia as eleitoras no assunto, assim afirmando:
“Pela primeira vez, na História do Brasil, uma mulher, candidata a Presidenta da República – a Dilma Rousseff - tornou-se favorita no processo eleitoral para dirigir essa nação que sempre foi governada por homens. Foi o bastante para que o mais descarado machismo brasileiro viesse à tona, com todas suas armas e se avolumasse na cabeça de homens equivocados ou de má fé.”
Este grande e respeitável jornal que assino e leio, perdeu uma boa oportunidade de ser menos machista e provinciano para ser mais inovador, como o foi a Presidenta, e deixar de fazer eco ao machismo que perpassou a campanha eleitoral contra esta mulher que ousou desafiar o privilégio masculino de ficar à frente dos destinos desta Nação. Com isto, este jornal estará dando também o tom da atitude que manterá com relação à administração governamental entrante. Ao mesmo tempo, estará dando razões à administração anterior, de acusar a imprensa por preconceito e má vontade para com a sua gestão.
Que assim não seja, para que este jornal faça jus à sua pretensão de ser mais nacional que local, e para que as eleitoras, suas leitoras, não precisem de abandonar a sua boa leitura
Belo Horizonte, 05/01/11
(romeusabara.blogspot.com)

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