Meu amigo Santiago, que muito pouco tinha de São Tiago e muito tinha a ver com bares e botecos, como também com um bom gosto de tomar cachaça com cerveja.
Já experimentou? Se você tomar uma cachaçinha, antes de tomar cerveja, ela fica mais gostosa na boca, ainda que possa não ficar bem pra cabeça. Principalmente se for acompanhada por um torresminho ou um pedaço de linguiça. Este seu bom hábito era cultivado todas as noites belorizontinas, deste a juventude, sem problemas, porque tinha ele um estômago de avestruz.
Acontece que a juventude foi embora, o estomago de avestruz também e a cachaça com cerveja passou a subir pra cabeça. E, quando voltava para casa, não voltava mais como dantes. Dava outras voltas a mais. Até que um dia caiu na rua, feriu a cabeça, ficou desacordado, foi resgatado pela ambulância, atendido e levado pra casa, pra descansar, por recomendação médica.
La, fui eu visitar meu amigo, no seu lar, doce lar, a descansar. Acontece que ele andava para lá e para cá, como um leão na jaula, ansioso para voltar para o bar, doce bar. Foi quando me lembrei daquele ditado: ”Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé”. E, parafraseando o ditado, perguntei:: “Se você não vai ao bar, porque o bar não vem a você?”. Deu então um sorriso maroto.
Antes passara na banca de jornal e comprara seu jornal preferido – O Estado de São Paulo – e entreguei, não sem antes recomendar: “Você vai ter muito tempo para ler o jornal, todo o jornal, calmamente, inclusive o Caderno de Classificados”. Desta vez, não sorriu.
Mas a história não acabou por aí. Pressionado pelos mais chegados para abandonar aquele seu bom hábito de tomar cachaça com cerveja, fez uma concessão; “Vou deixar a cachaça e tomar somente cerveja”.
Os chegados ainda davam graças a Deus quando ele fez, ainda. uma pequena correção: “Cachaça, somente quando comer uma boa feijoada mineira”
. O medo de todos era de que essa feijoada de tornasse prato trivial.
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